A 30.ª edição dos Mundiais. Long Beach, Califórnia, 1 de junho de 2026. O The Pyramid cheio para a faixa preta adulto. Foi o melhor dia desta edição — e um dos melhores dias de Mundiais dos últimos anos. Teve história nova, confirmação de dominação, e uma despedida que ninguém queria ver mas toda a gente respeitou.
O maior momento desta edição não foi uma submissão espetacular nem um absoluto disputado em apneia. Foi o momento em que Diego “Pato” Oliveira, da Art of Jiu-Jitsu, conquistou o seu quinto título mundial no ligeiro-pena (64 kg) e se tornou o atleta com mais títulos mundiais nessa categoria na história do desporto — ultrapassando o seu próprio treinador, Guilherme Mendes, que tinha quatro. Robson Moura tinha o mesmo número. Pato ultrapassou os dois.
Nas quatro lutas que disputou chegou à final com três submissões e um resultado elástico de 9x0. Depois de ganhar, pousou o cinto no tatame. Um gesto que todos interpretaram como uma possível despedida da competição. Quem sabe. O que sabemos é que Pato vai para a história como o maior ligeiro-pena de sempre.
Tainan Dalpra ganhou o médio (82 kg) e confirmou o Grand Slam 2026 — o título nos quatro majors do ano da IBJJF. É o terceiro Grand Slam da carreira. Aos 24 anos, Dalpra já tem um palmâres que muitos atletas não constroem numa vida inteira. O estilo dele não é para toda a gente — é técnico, posicional, baseado em pressão e controlo — mas a eficácia é inegável.
A surpresa masculina da edição. Rider Zuchi, da Team 6 e protégé de Leandro Lo, tinha chegado perto da final noutras edições sem nunca atravessar a linha. Desta vez atravessou. Quatro lutas difíceis, incluindo uma vitória sobre o favorito Leo Ferreira por 2x0 e a final contra o australiano Nico Maglicic da Atos por 4x0. O tipo de vitória que define carreiras.
Erich Munis tinha chegado à final do absoluto nas duas edições anteriores sem vencer — nas duas vezes por lesão do adversário. Este ano ganhou de forma legítima, sem discussão. A Soldiers JJ foi a maior equipa do dia com dois títulos: Munis e Liberati.
Gabi Pessanha completou o Grand Slam 2026. Mundiais, Pans, Europeus, Brasileiros — quatro majors, quatro ouros. É apenas o terceiro nome a conseguir esse feito na história do jiu-jitsu feminino. Além disso, já está confirmada no ADCC 2026 em Cracóvia em setembro, onde será uma das principais favoritas no absoluto sem kimono.
Pouca gente falava de Sabrina Gondim antes destes Mundiais. A atleta da Fight Sport desceu de categoria, entrou como candidata n.º 8 do ranking e venceu tudo à sua frente. Nas suas palavras após o título: “Ninguém apostava em mim aqui, e estava bem assim.” Este tipo de vitória — a que vem de onde não se espera — é o que torna o jiu-jitsu diferente de qualquer outro desporto.
Pouco depois de ganhar, Diego Pato pousou o cinto no tatame. Ninguém disse nada. Todos perceberam.
Trinta edições dos Mundiais. Este foi o melhor dia da vigésima nona — e o mais marcante da trigésima. Pato fez história, Dalpra completou o Grand Slam, Pessanha completou o Grand Slam, Rider Zuchi chegou finalmente onde merecia, e Sabrina Gondim provou que os rankings não te definem. Long Beach 2026 vai ser lembrado.