Os primeiros dois dias dos Mundiais 2026 foram dos cintos coloridos. Enquanto a faixa preta só entrou em acção no sábado, foi na quinta e sexta-feira que aconteceram algumas das histórias mais surpreendentes da 30.ª edição. Promoções a meio do torneio, atletas a saltarem faixas, e o feito mais insolíto do campeonato inteiro.
O primeiro dia no tatame começou com a faixa azul adulto e não demorou a ter nome para recordar. Matheus Lima foi o homem do dia masculino: duplo ouro na categoria e no absoluto, cinco lutas, três submissões e dois resultados por pontos todos confortáveis. O estilo de Lima tem uma maturidade que não corresponde à faixa que traz na cintura. Dentro de pouco tempo vai estar a competir com a roxa — e a ganhar.
No absoluto masculino, Matheus Silva, da Checkmat, perdeu no semi-final do peso e voltou para conquistar o ouro no absoluto por submissão na final. Este tipo de resposta depois de uma derrota diz muito sobre a cabeça de um atleta.
No feminino, Helena Ferreira, da equipa Vision, foi ainda mais dominante: duplo ouro no ligeiro e no absoluto, seis lutas, seis vitórias. Na bancada, a única questão era quando o instrutor lhe ia dar a faixa roxa.
Lívia Barasine chegou ao The Pyramid como faixa azul. Saiu como faixa preta. Isto não é erro de escrita. A atleta saltou quatro faixas no mesmo ano em que entrou na categoria adulta — algo que nunca tinha acontecido na história dos Mundiais. O jiu-jitsu permite promoções por performance excepcional, mas quatro faixas de uma vez, com validação de campeonato mundial, não tem precedente.
Masculino Categoria + Absoluto: Matheus Lima (duplo ouro)
Masculino Absoluto (Checkmat): Matheus Silva
Feminino Categoria + Absoluto: Helena Ferreira, Vision (duplo ouro)
Momento histórico: Lívia Barasine, de azul a preta num ano
A faixa roxa adulto é onde o jiu-jitsu fica complicado de acompanhar para quem não conhece bem o desporto — e fascinante para quem conhece. Os atletas já têm identidade técnica definida e a fome de quem precisa de provar que chega à elite. O dia 2 dos Mundiais 2026 teve duas histórias que valem por si só.
Entre os homens, Fernando Paiva e Lucas Yan foram os nomes mais repetidos ao longo do dia. Paiva tem um jogo de pressão que descaracteriza a faixa — a forma como controla o ritmo das lutas é de alguém com muito mais experiência do que o cinto mostra. Lucas Yan joga um jiu-jitsu moderno e dinâmico que agrada ao público mais jovem. Ambos foram destaques que devem aparecer na castanha brevemente.
Hawann Hennye ganhou a categoria no ligeiro-pena e foi promovido a faixa castanha no pódio. Depois de apenas quatro semanas na faixa roxa. Isso mesmo — quatro semanas. O instrutor avaliou que o nível demonstrado era o de um cinto castanho, e promoveu ali mesmo, na arena, à vista de todos. Em jiu-jitsu acontecem estas coisas que nenhum outro desporto permite.
No absoluto masculino, Luís Henrique Oliveira da Alliance saiu derrotado no semi-final do peso e voltou para conquistar o absoluto por pontos. A vitória valeu-lhe a promoção a faixa castanha das mãos de Michael Langhi, no tatame, em frente a toda a gente. Essas cenas valem qualquer pódio.
Ligeiro-Pena Masculino: Hawann Hennye — promovido a castanha no pódio após 4 semanas na roxa
Absoluto Masculino: Luís Henrique Oliveira, Alliance — promovido a castanha por Michael Langhi
Outros destaques: Fernando Paiva, Lucas Yan, Dione Munis, Rodrigo Dantas
Curiosidade: Oli Silvestro conquistou duplo prata numa das melhores prestações da semana
A faixa castanha é o limiar. Estás a uma promoção de ser atleta de elite ou a cinco anos de jiu-jitsu antes de chegares lá. Os Mundiais 2026 tiveram um card de faixa castanha que deixou claro que esta geração tem nomes sérios a caminho do preto.
No masculino, Omar Tariq Nada foi o homem do dia. O atleta saudita que vive em Nova Iorque e treina na Unity Jiu-Jitsu com Murilo Santana ganhou seis combates no mesmo dia — três no super-pesado, três no absoluto. Duplo ouro, todos os adversários tratados com uma pressão constante e paciente que é marca registada da Unity. Nada tem 22 anos. O salto para a faixa preta vai acontecer em breve e, quando acontecer, vai ser notícia. Se não viste nenhuma luta dele nestes Mundiais, vai ao FloGrappling.
No feminino, aconteceu algo raro. Hazel Butcher-Salazar não ganhou o campeonato — destruiu-o. Seis lutas, seis submissões. Pesado e absoluto feminino, duplo ouro, zero pontos concedidos. Em cinco anos de jiu-jitsu chegou a este nível. Ganhou a final do pesado contra Greta Notaro e o absoluto contra Lauriane Stavacz Afonso. Quando chegar à preta, vai ganhar campeonatos mundiais. Não é antecipação — é uma conclusão que quem a viu lutar não tem dúvidas em tirar.
Masculino Super-Pesado + Absoluto: Omar Tariq Nada, Unity JJ/KSA Team — duplo ouro, 6-0
Feminino Pesado + Absoluto: Hazel Butcher-Salazar — duplo ouro, 6-0 todas por submissão
Curiosidade: Butcher-Salazar tem apenas cinco anos de jiu-jitsu
Promoções: dois atletas receberam a faixa preta durante o evento
Dois atletas que provavelmente vamos ver nos Mundiais de faixa preta no próximo ano. A rotação de talento na castanha é sempre rápida — mas raramente se vêem dois atletas desta dimensão no mesmo torneio.